segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

PARTE 5

Sempre encontrei obstáculos em minha breve jornada terrena. Também encontrei pessoas boas... Conclui, então, que não existem somente coisas ruins e pessoas mal intencionadas.
Na simplicidade, encontramos valores que não cabem na vaidade e no egoísmo. Com essa reflexão sobre simplicidade, fiz uma viagem nesse momento no “túnel do tempo”, regressando ao passado: Eu, menina,  estava a brincar livre...na relva, melhor, no mato verdinho e aquele cheiro de estrume de boi. Não pensem caro leitor, que isso é ruim!
 É só cheiro de saudade. Isso é cheiro da recordação matuta, de quem foi criada andando pelos sítios do interior, acordando cedinho pra ir buscar um litro de leite, que minha madrinha fazia questão de me dar. Tirado na horinha das tetas da vaca! Que tempo bom!
Recordo-me, que certa vez meu padrinho Seba, perguntou se eu queria leite fresquinho, balancei a cabeça que sim. Ele acenou pra minha madrinha, fazendo gesto para que buscasse um copo e acrescentou: _ Custódia traz um punhado de açúcar pra colocar no leite a pequena! Enquanto padrinho puxava as tetas da vaca, o leite espirrava pra todo lado enchendo o copo, depois disso um pouco de açúcar e... que delícia, era saborear aquele leite quentinho cheio de espuma fazendo bigode em mim.
No caminho de volta eu pulava feito uma cabrita, cantarolando e seguindo minha mãe.
Eu era muito pequena, uns 4 a 5 anos, mas lembro-me como se tivesse sido ontem, mato verdinho pra todo lado, molhado pelo orvalho da manhã, o riacho, o gado solto, o pé de pitomba magro e gigante, as mangueiras, os imbuzeiros, e aquelas enormes jaqueiras.
Ahhh! Como é bom recordar... resgatar do fundo das lembranças coisas boas que também tive. Saudades daquele tempo em que eu era feliz e nem sabia.




A CAIXA DE PANDORA



Conta-nos as várias versões do mito grego que Prometeu (o que vê antes ou prudente, previdente) é o criador da humanidade. Era um dos Titãs, filho de Jápeto e Clímene e também irmão de Epimeteu (o que vê depois, inconsequente), Atlas e Menécio. Os dois últimos se uniram a Cronos na batalha dos Titãs contra os deuses olímpicos e, por terem fracassado, foram castigados por Zeus que então tornou-se o maior de todos os deuses.
Prevendo o fim da guerra, Prometeu uniu-se a Zeus e recomendou que seu irmão Epimeteu também o fizesse. Com isso, Prometeu foi aumentando os seu talentos e conhecimentos, o que despertou a ira de Zeus, que resolveu acabar com a humanidade. Mas a pedido de Prometeu, o protetor dos homens, não o fez.
Um dia, foi oferecido um touro em sacrifício e coube a Prometeu decidir quais partes caberiam aos homens e quais partes caberiam aos deuses. Assim, Prometeu matou o touro e com o couro fez dois sacos. Em um colocou as carnes e no outro os ossos e a gordura. Ao oferecer a Zeus para que escolhesse, esse escolheu o que continha banha e, por este ato, puniu Prometeu retirando o fogo dos humanos.
Depois disso, coube a Epimeteu distribuir aos seres qualidades para que pudessem sobreviver. Para alguns deu velocidade, a outros, força; a outros ainda deu asas, etc. No entanto, Epimeteu, que não sabe medir as consequências de seus atos, não deixou nenhuma qualidade para os humanos, que ficaram desprotegidos e sem recursos.
Foi então que Prometeu entrou no Olimpo (o monte onde residiam os deuses) e roubou uma centelha de fogo para entregar aos homens. O fogo representava a inteligência para construir moradas, defesas e, a partir disso, forçar a criação de leis para a vida em comum. Surge assim a política para que os homens vivam coletivamente, se defendam de feras e inimigos externos, bem como desenvolvam todas as técnicas.
Zeus jurou vingança e pediu para o deus coxo Hefestos que fizesse uma mulher de argila e que os quatro ventos lhe soprassem a vida e também que todas as deusas lhe enfeitassem. Essa mulher era Pandora (pan = todos, dora = presente), a primeira e mais bela mulher já criada e que foi dada, como estratégia de vingança, a Epimeteu, que, alertado por seu irmão, recusou respeitosamente o presente.
Ainda mais furioso, Zeus acorrentou Prometeu a um monte e lhe impôs um castigo doloroso, em que uma ave de rapina devoraria seu fígado durante o dia e, à noite, o fígado cresceria novamente para que no outro dia fosse outra vez devorado, e assim por toda eternidade.
No entanto, para disfarçar sua crueldade, Zeus espalhou um boato de que Prometeu tinha sido convidado ao Olimpo, por Atena, para um caso de amor secreto. Com isso, Epimeteu, temendo o destino de seu irmão, casou-se com Pandora que, ao abrir uma caixa enviada como presente (e que Prometeu tinha alertado para não fazê-lo), espalhou todas as desgraças sobre a humanidade (o trabalho, a velhice, a doença, as pragas, os vícios, a mentira, etc.), restando dentro dela somente a ilusória esperança.
Por isso, o mito da caixa de Pandora quer significar que ao homem imprudente e temeroso são atribuídos os males humanos como consequência da sua falta de conhecimento e previsão. Também é curioso observar como o homem depende de sua própria inteligência para não ficar nas mãos do destino, das intempéries e dos próprios humanos.
Por João Francisco P. Cabral
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

Como boneca de louça

Olho todos a minha volta nada sabem do meu ser e o que mais me revolta é que fingem não me ver. Busco falar com as portas com as jan...