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PARTE 1

Santa Terezinha, cidade situada no agreste de Pernambuco. Entre Garanhuns, terra da garoa e Bonconselho, terra não-sem-de-quê. Foi lá que tudo começou... Lugar de gente simples e pacata, onde todos se conhecem e se cumprimentam. Isto é !!!! Se você andar na linha, com certeza é um homem honrado e uma mulher de bem, mas se vacilar... o cachimbo cai! Você vira docinho na boca de gente fofoqueira. Naquele tempo, então!!!
 Minha vô, mãe de minha mãe, pra se ver livre de mais uma filha, e de uma boca para alimentar, achou de ir até o cartório da cidade com uma invenção de que minha mãe tinha perdido a certidão de nascimento e aumentou mais três anos da idade, pois assim, ela ficaria com 18. E, ZÁS! Poderia se casar, com o namorado arranjado, chamado Anízio “meu pai genético”. Até o nome da minha mãe foi mudado de Quitéria, nome imposto não sei por quem, e trocado por Selma que era preferência da maioria da casa. Inclusive, a dona, “minha mãe genética”. Agente sabe que no Brasil se dá um jeitinho pra tudo, ou quase tudo, mas no interior, há tempos atrás... mas, deixemos isso de lado. O resultado pra tudo isso, foi o casamento de meus pais, Selma e Anísio, que durou até uns meses depois de minha concepção.
O casamento já começou torto, sem um gostar bem do outro, mas na hora do “rala e rola”, tudo está bem, tudo é gostosinho. Não durou muito para aparecer uma gravidez. Com mulher enjoada e entojada, meu pai passou a sair pra bebedeira e deixar minha mãe trancada (essa foi a versão de minha mãe, a do meu pai não sei). Ela, por sua vez, se sentia só e sem saber o que fazer, só sabia ficar chorando pelos cantos da casa. Até o dia em que ele, sob efeito da ignorância e estupidez, bateu e insultou minha mãe. Foi a última vez que ele levantou a mão pra ela e esta foi a primeira vez que fui desrespeitada, ainda no ventre de minha mãe. Com isso, ela tomou uma decisão, que mudaria a vida de todos nós, inclusive a minha. Uma decisão, que tantas mulheres hoje em dia precisam tomar e não conseguem, porque o medo é maior que todos os problemas juntos.
Sem opção, a princípio, foi pra casa da mãe “aquela que dá um jeitinho pra resolver as coisas”, cuja frase foi nua e crua: pode ficar aqui até essa criança nascer, trate de arrumar pra quem dar, porque aqui não cabe mais uma boca, não! Durante o restante da gestação, ao invés de alegria, cantarolar e sorrisos, ao esperar o nascimento, só se ouvia o pranto de alguém que espera a perda, a separação, o choro, a partida.
Foi então que chegou a hora esperada: eu nasci! Logo em seguida fomos separadas pelas mãos alheias, pelo destino, pela vida!

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