quinta-feira, 25 de agosto de 2011

AUTOPSICOGRAFIA



O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Como boneca de louça

Olho todos a minha volta nada sabem do meu ser e o que mais me revolta é que fingem não me ver. Busco falar com as portas com as jan...