sábado, 7 de julho de 2012

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE:


Como muitos garotos comuns, Carlos Drumond de Andrade foi um gauche na vida, tímido e recatado filho de fazendeiros em decadência em Itabira do Mato Dentro em Minas Gerais, que nasceu aos 31 de outubro de 1902. Aquele garoto certamente iria fazer a diferença e o fez. Pois, apesar de viver numa pacata cidade e conviver com a terra, ou melhor conviver na fazenda com seus oito irmãos e seus pais , sua paixão mesmo não era a terra em si, mas a terra do coração, do sentimento , da observação de tudo o que cercava, enfim dentre todas suas paixões a maior eram as letras, levando-o a ser considerado um dos maiores escritores de todos os tempos.
Tornou-se então, um cidadão das letras, pelas suas inúmeras obras, dentre elas: poesias, crônicas, contos, ensaios, antologias; bem como obras suas em várias línguas, como alemão, búlgaro, chinês, espanhol, italiano, latim, norueguês, sueco e tcheco. Outros livros também foram traduzidos de escritores conhecidos pelo mundo todo e chegou até a traduzir um livro para o Braille.
O que falar de homem tão excepcional como ele?Teria que escrever folhas e mais folhas durante um bom tempo, porque tanto como escritor como cidadão deixou sua marca registrada através de suas palavras, não só no Brasil ( seu lar), mas espalhados por muitos lugares do mundo, semeando ideologias, criatividade e palavras que mudam, transformam e levam pessoas a momentos de reflexão sobre a vida, os acontecimentos cotidianos, causas e consequências de um mundo que foi e continua sendo conturbado pela ganância, violência e falta de paz.
Logo que iniciou seus escritos, chamados de fase gauche, por críticos literários, fase essa de características pessimistas, individualistas e reflexivas sobre a existência e o isolamento. Como o próprio nome gauche, que significa( deslocado, acanhado, esquerdo, desajeitado), Drummond transparecia através de seu eu-poético, em que "um anjo torto" um dia diz: "Vai Carlos! Ser gauche na vida."Certamente era esse o sentimento dele na época, ou melhor no início de sua carreira literária, também conturbada pelos fatos políticos e sociais de guerra e pós guerra.
Foi crescendo como cidadão e escritor, deixando para trás a fase gauche e começa a se enquadrar na segunda fase do Modernismo,com sua linguagem clara e coloquial depositando suas ideologias sobre as problemáticas sociais, desajustes, utilizando-se de ironia leve e dose de humor.
As produções de poesias filosóficas e de reflexão, voltando-se para as problemáticas não só de seu país como também do mundo levando através de suas obras a solidariedade, ideias e temas universais que o tocavam e fazia questão de compartilhar com o mundo de leitores engajados também nos problemas que envolvem a sociedade, sobretudo a vida e a morte.
Até que nas décadas de 70 e 80, passa à fase de nostalgia, recordações de criança e juventude, representadas em poesias nominais, com a utilização de aliterações e neologismos dando ênfase a seus poemas marcadas pelas feridas que o tempo tentou cicatrizar com as memórias de sua família. Feridas essas que rebentaram-se de vez depois de tantas perdas a pior, a perda de sua amada filha única, musa e amiga Maria Julieta e não resistindo tamanha tristeza e desolação morre de infarto fulminante, apenas doze dias após a morte de sua filha.
Aos 17 de agosto de 1987, Carlos Drummond de Andrade deixa de ser mortal para tornar-se imortal no campo das Letras e na memória daqueles que o admiram.

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