sábado, 7 de julho de 2012

MAR DE ILUSÕES

Neste infindo
mar das ilusões
É possível encontrar
sorrisos e lamentações.
Ambas se cruzam
entre ondas torturantes
dos pensamentos ilusórios
de hoje e de antes.
As ondas das incertezas
que vão e vem na vida
fazendo na vida proezas
de esperança e lida.
Que se tente e sustente
com labor e penar
para um dia essa mente
possa enfim da solidão se libertar.
23/07/10

VIOLÊNCIA

 
Estou cercada de muros.
Grades. Grilhões.
A violência assusta...
Liberdade não temos mais
as cidades estão caóticas
as pessoas estão neuróticas.
Drogas nas mãos, são doces
de crianças e adolescentes,
que tão cedo deixam de ser inocentes.
Pois a hipocrisia e a pobreza
não os deixa ver
o que há de riqueza
dentro de cada ser.
2000

AMOR


O amor é como a brisa da manhã
vem de mansinho encher de paz
e bem-estar os corações
bem-aventurados de bondade, porque:
Só o amor constrói
Só o amor abençoa
Só o amor perdoa
Só o amor enche de nossa alma
de paz e riqueza espiritual.
 

INFÂNCIA


Infância querida
como é bom lembrar
das brincadeiras na praça
dos cochichos inocentes
dos sorrisos perdidos
na mente da gente
as palmadas da mãe
os choros consequentes
lágrimas contidas na lembranças
e dos sonhos adolescentes.
 

LEMBRANÇAS

Seja manhã de chuva
seja manhã bela
um pássaro vem se postar
de fronte minha janela.
Cantar segredos de um amor
que longe está a viver
no infinito, na imensidão
talvez no entardecer.
Entardecer triste e sereno
que faz lembrar seus olhos
perdidos no infinito
infinito dos teus sonhos.
17.09.93

ILUSÕES MINHAS



Ilusões minhas
por onde andastes
foi pelos caminhos obscuros?
Ou no caminho do amor a florescer?
Foi as tantas amarguras da vida?
Ou aquele amor que me fez sofrer?
Deixando-me nesse dilema
indecisa a refletir:
Será esse meu destino?
Amar e deixar-me ferir
por tantas coisas
tendo a redimir?
1995
 


 
Sorrisos, músicas
patotinhas, jogando dominó
crianças brincando
Eu.
Só.
Escutando.
Em conflito, reflito
sobre meu íntimo
não sei o que sinto
apenas permito omitir
o meu sentimento
esse fraudulento
quero estar lá
quero estar só.
Não sei porque lamento
só sei que de tristeza
já não aguento
e assim vou ficando no esquecimento.
2003

SEM NADA


Sem perspectiva de vida
Vejo aquele cidadão
sem nome sem lida
apenas esperando que
do céu,caia o pão
que mate sua fome
por isso espera
ajuda de seu irmão.
Mulher não pode ter,
como sustentá-la?
Tão pouco filhos
como alimentá-los?
Por isso se afoga
no mar da bebida
e viaja na fumaça
do esquecimento
afim de que um dia
de alguma forma
acabe o sofrimento.
 1995
 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE:


Como muitos garotos comuns, Carlos Drumond de Andrade foi um gauche na vida, tímido e recatado filho de fazendeiros em decadência em Itabira do Mato Dentro em Minas Gerais, que nasceu aos 31 de outubro de 1902. Aquele garoto certamente iria fazer a diferença e o fez. Pois, apesar de viver numa pacata cidade e conviver com a terra, ou melhor conviver na fazenda com seus oito irmãos e seus pais , sua paixão mesmo não era a terra em si, mas a terra do coração, do sentimento , da observação de tudo o que cercava, enfim dentre todas suas paixões a maior eram as letras, levando-o a ser considerado um dos maiores escritores de todos os tempos.
Tornou-se então, um cidadão das letras, pelas suas inúmeras obras, dentre elas: poesias, crônicas, contos, ensaios, antologias; bem como obras suas em várias línguas, como alemão, búlgaro, chinês, espanhol, italiano, latim, norueguês, sueco e tcheco. Outros livros também foram traduzidos de escritores conhecidos pelo mundo todo e chegou até a traduzir um livro para o Braille.
O que falar de homem tão excepcional como ele?Teria que escrever folhas e mais folhas durante um bom tempo, porque tanto como escritor como cidadão deixou sua marca registrada através de suas palavras, não só no Brasil ( seu lar), mas espalhados por muitos lugares do mundo, semeando ideologias, criatividade e palavras que mudam, transformam e levam pessoas a momentos de reflexão sobre a vida, os acontecimentos cotidianos, causas e consequências de um mundo que foi e continua sendo conturbado pela ganância, violência e falta de paz.
Logo que iniciou seus escritos, chamados de fase gauche, por críticos literários, fase essa de características pessimistas, individualistas e reflexivas sobre a existência e o isolamento. Como o próprio nome gauche, que significa( deslocado, acanhado, esquerdo, desajeitado), Drummond transparecia através de seu eu-poético, em que "um anjo torto" um dia diz: "Vai Carlos! Ser gauche na vida."Certamente era esse o sentimento dele na época, ou melhor no início de sua carreira literária, também conturbada pelos fatos políticos e sociais de guerra e pós guerra.
Foi crescendo como cidadão e escritor, deixando para trás a fase gauche e começa a se enquadrar na segunda fase do Modernismo,com sua linguagem clara e coloquial depositando suas ideologias sobre as problemáticas sociais, desajustes, utilizando-se de ironia leve e dose de humor.
As produções de poesias filosóficas e de reflexão, voltando-se para as problemáticas não só de seu país como também do mundo levando através de suas obras a solidariedade, ideias e temas universais que o tocavam e fazia questão de compartilhar com o mundo de leitores engajados também nos problemas que envolvem a sociedade, sobretudo a vida e a morte.
Até que nas décadas de 70 e 80, passa à fase de nostalgia, recordações de criança e juventude, representadas em poesias nominais, com a utilização de aliterações e neologismos dando ênfase a seus poemas marcadas pelas feridas que o tempo tentou cicatrizar com as memórias de sua família. Feridas essas que rebentaram-se de vez depois de tantas perdas a pior, a perda de sua amada filha única, musa e amiga Maria Julieta e não resistindo tamanha tristeza e desolação morre de infarto fulminante, apenas doze dias após a morte de sua filha.
Aos 17 de agosto de 1987, Carlos Drummond de Andrade deixa de ser mortal para tornar-se imortal no campo das Letras e na memória daqueles que o admiram.

Como boneca de louça

Olho todos a minha volta nada sabem do meu ser e o que mais me revolta é que fingem não me ver. Busco falar com as portas com as jan...