sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

PARTE 4

Muitas vezes, me pego a vagar no pensamento e sem querer cai uma lágrima no meu rosto. Tento sempre fugir dessa melancolia, mas ela insiste em me procurar. Disfarço com um sorriso gentil, como quem quer dizer: ah, já passou! Para quê relembrar coisas tristes?! Entretanto, elas estão lá no fundo dos pensamentos e vez por outra à tona reaparecem.
Esse episódio, que hoje contarei, foi um dos meus piores momentos, compartilhados com minha mãe adotiva. Eu tinha uns 9 ou 10 anos. Fazia a faxina da casa todos os sábados. Naquela tarde, após limpar todos os cômodos, lavar, encerar e deixar a casa "um brinco", uma "amiga" de minha mãe me pediu um galho de uma planta que gostávamos de colocar dentro de um jarro com água pra enfeitar a casa. Não vi razão para não obedecer seu pedido, devido o grande volume de plantas que havia em nosso quintal. Ao meu ver não iria fazer diferença um simples galho. Que maldito favor, foi aquele! No momento minha mãe havia saído, e quando chegou já foi com dois quentes  e um fervendo, esbravejando: "quem te deu permissão para dar da minha plantinha!!!!!" Nem lembro o que mais ela falou na hora. Porque fui logo sentindo os tapas nas costas e empurrões. No caminho havia encontrado a tal amiga, que havia agradecido pela gentileza.
Após, vários tabefes, imaginem!Alguns jarros espalhados pela casa, creio eu, foi a única coisa que ela enxergou, os pegando e derramando por toda a casa, da sala de estar até chegar no quintal. Obrigou-me depois, a limpar tudo. Tamanha foi sua fúria, quando eu passei por ela com o braço cheio de plantas molhadas com a água dos vasos, misturadas a meu suor e minhas lágrimas... Repentinamente tomou de meus braços aquele molho de matos e gritou: ABRA A BOCA, QUE AGORA VOCÊ VAI COMER!!!PRA APRENDER A NUNCA MAIS DAR PRA OS OUTROS O QUE NÃO É SEU!
Por Deus! eu não tinha ação, muito menos escolha, se não as mordesse. Não tive intensão nenhuma de fazer nenhuma maldade, mas, por sorte ou azar, tentei engolir o choro e depositei a minha raiva na mordida que estava prestes a dar naquelas folhas... mas a mordida não foi no alvo, foi em um dos dedos dela. Arranquei sangue... quase torei o dedo dela... e por isso o meu castigo foi ainda pior:
Com um cabo de vassoura ela me bateu forte, por todo meu corpo e minha cabeça até que eu desmaiei... por segundos...ela gritava: LEVANTE!!! É SAFADEZA SUA, VOCÊ TÁ FINGINDO! e ainda cambaleando, estava eu ali para cumprir todas as determinações que a mim fossem impostas.
Sangue para todos os lados, água, plantas, tive que cuidar do dedo machucado de joelhos. Fui obrigada a pedir perdão e rezar um Terço Mariano completo (de joelhos), para pagar meu pecado: ter dado um insignificante pedaço de mato sem permissão e ter mordido sem intenção.
Os soluços anoiteceram e amanheceram, juntos com minhas dores carnais e minhas dores emocionais. Ainda hoje me pergunto o por quê de tanta fúria, tanta mágoa, sem motivos. Eu apenas fui naquele momento um objeto usado para descarregar o rancor alheio. Ainda me entristeço ao lembrar do episódio, porém me orgulho em dizer que, a mesma pessoa que me tratou assim um dia, foi a pessoa que cuidei na hora da doença e morte. Nunca fui capaz de deixá-la de lado na hora da precisão. Apesar de relembrar esse tipo de coisa, posso dormir tranquila sem remorsos, se mágoas. Isso, a muito tempo PERDOEI!

Como boneca de louça

Olho todos a minha volta nada sabem do meu ser e o que mais me revolta é que fingem não me ver. Busco falar com as portas com as jan...