terça-feira, 22 de novembro de 2011

PARTE 2

PARTE 2

Exatos 15 dias, tempo permitido para que minha mãe ficasse comigo, após meu nascimento. Tempo mínimo e restrito, porém essencial para amamentar e tentar não se apegar.
Algumas pessoas da cidade queriam me adotar “gente de toda a qualidade”, mas o pouco de senso que ainda restava da pobre jovem Selma, não permitiu que eu fosse entregue de qualquer jeito a qualquer pessoa. Foi então, faltando poucos dias para o meu nascimento, promessas e pactos foram feitos entre minha mãe genética e minha mãe adotiva. A primeira prometeu fazer a entrega do “pacotinho”, logo ao sair da maternidade e jurou nunca interferir na vida e educação daquele pequeno ser. A outra com seu ar autoritário consentiu 15 dias para amamentar e por nobreza jurou cuidar e dar uma boa educação, enquanto pudesse viver, já que era na época uma senhora de mais de 50 anos e separada.
Dona Maria José, conhecida por Dona Zé, separada, com dois filhos um adolescente e outra entrando na maior idade e a lembrança de seu primogênito, que em pleno vigor da idade, aos 33, morreu afogado. Ela, tinha um certo prestígio na cidade, por isso foi um alvo certeiro para a minha adoção. Como toda criança, recém nascida, fui embalada e cuidada, com pouco ou muito amor “isso não vem ao caso”. Só sei que minha vida, minha educação e traumas, devo a minha mãe adotiva. Após sua morte (5 anos mais ou menos), quando estava com 21 anos tive a grande benção e alegria de conhecer minha mãe genética. 

Como boneca de louça

Olho todos a minha volta nada sabem do meu ser e o que mais me revolta é que fingem não me ver. Busco falar com as portas com as jan...