sexta-feira, 18 de novembro de 2011

EM TEU VENTRE

Em teu ventre senti frio 
Também ausencia de amor 
Já pressentia que o destino 
Rondava-me ameaçador. 

Em teu ventre senti medo 
Chorava sem apelo
A tua tristeza transmitia 
Angustia e desespero. 

Arrancaram-me do teu ventre 
Sem carinho e compaixão 
Naõ me afegaste, não me embalaste 
Nem se quer viste 
Minha face 
Angelical e inocente 
Um adeus foi naquele momento
Em que sai do teu ventre .

Fui crescendo 
E a pergunta me atormentando 
Sobre as diferenças percebidas 
Todos eram alguém. Eu, a cria. 
Sentia-me inferior 
Mas ninguém explicava 
O que estava acontecendo 
A dúvida me atormentava.

Cresci.
As dúvidas foram esclarecidas 
Hoje só me restou 
Perdoar o abandono e a dor 
Enfrentando o mundo sem rancor 
No entanto, sou grata pela pessoa 
Que apesar de tudo deu-me a vida 
O passado deixo de lado 
O presente é uma conquista.

Sei que o futuro terá 
Muito mais a explicar 
A importancia que minha vida tem 
No hoje, no ontem 
Aqui, ou em qualquer lugar 
Porque sou filha do mesmo Deus
Que está sempre a nos olhar. 

Eloisia Cristina Serafim 

PARTE 1

Santa Terezinha, cidade situada no agreste de Pernambuco. Entre Garanhuns, terra da garoa e Bonconselho, terra não-sem-de-quê. Foi lá que tudo começou... Lugar de gente simples e pacata, onde todos se conhecem e se cumprimentam. Isto é !!!! Se você andar na linha, com certeza é um homem honrado e uma mulher de bem, mas se vacilar... o cachimbo cai! Você vira docinho na boca de gente fofoqueira. Naquele tempo, então!!!
 Minha vô, mãe de minha mãe, pra se ver livre de mais uma filha, e de uma boca para alimentar, achou de ir até o cartório da cidade com uma invenção de que minha mãe tinha perdido a certidão de nascimento e aumentou mais três anos da idade, pois assim, ela ficaria com 18. E, ZÁS! Poderia se casar, com o namorado arranjado, chamado Anízio “meu pai genético”. Até o nome da minha mãe foi mudado de Quitéria, nome imposto não sei por quem, e trocado por Selma que era preferência da maioria da casa. Inclusive, a dona, “minha mãe genética”. Agente sabe que no Brasil se dá um jeitinho pra tudo, ou quase tudo, mas no interior, há tempos atrás... mas, deixemos isso de lado. O resultado pra tudo isso, foi o casamento de meus pais, Selma e Anísio, que durou até uns meses depois de minha concepção.
O casamento já começou torto, sem um gostar bem do outro, mas na hora do “rala e rola”, tudo está bem, tudo é gostosinho. Não durou muito para aparecer uma gravidez. Com mulher enjoada e entojada, meu pai passou a sair pra bebedeira e deixar minha mãe trancada (essa foi a versão de minha mãe, a do meu pai não sei). Ela, por sua vez, se sentia só e sem saber o que fazer, só sabia ficar chorando pelos cantos da casa. Até o dia em que ele, sob efeito da ignorância e estupidez, bateu e insultou minha mãe. Foi a última vez que ele levantou a mão pra ela e esta foi a primeira vez que fui desrespeitada, ainda no ventre de minha mãe. Com isso, ela tomou uma decisão, que mudaria a vida de todos nós, inclusive a minha. Uma decisão, que tantas mulheres hoje em dia precisam tomar e não conseguem, porque o medo é maior que todos os problemas juntos.
Sem opção, a princípio, foi pra casa da mãe “aquela que dá um jeitinho pra resolver as coisas”, cuja frase foi nua e crua: pode ficar aqui até essa criança nascer, trate de arrumar pra quem dar, porque aqui não cabe mais uma boca, não! Durante o restante da gestação, ao invés de alegria, cantarolar e sorrisos, ao esperar o nascimento, só se ouvia o pranto de alguém que espera a perda, a separação, o choro, a partida.
Foi então que chegou a hora esperada: eu nasci! Logo em seguida fomos separadas pelas mãos alheias, pelo destino, pela vida!

CONVITE

Desde que aprendi a ler e escrever, aos meus 6 anos...senti uma necessidade de compartilhar com o papel meus sentimentos e impressões do pequeno mundo, que me cercava. Hoje sinto essa mesma necessidade. Agora, com uma diferença: necessito compartilhar um pouco de minha vida com cada pessoa que tiver a curiosidade, paciência e cumplicidade de leitor. Contando a partir de hoje, postarei um capítulo a cada semana, de lembranças e episódios que aconteceram desde minha infância e alguns fatos anteriores que estão interligados a minha existência e breve vida terrena. Não pretendo com isso ganhar créditos, mas compartilhar meus escritos... Deixo em aberto a liberdade de críticas e comentários. SEJAM BEM VINDOS!

Como boneca de louça

Olho todos a minha volta nada sabem do meu ser e o que mais me revolta é que fingem não me ver. Busco falar com as portas com as jan...