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MENSAGEIROS

Naquele lugar onde eu me encontrava era tudo muito estranho. As pessoas pareciam fugir de algo, desesperadas correndo e olhando para trás. Eu era uma delas.
Porém, eu não fazia o mesmo que essas pessoas, eu só observava como se flutuasse e ficasse ao par de tudo que acontecia por lá e outros lugares.
De repente a água avançava. Algumas pessoas deixavam-se ser levadas, outras caiam e se levantavam, outras ainda permaneciam distantes procurando abrigo, onde a água não as tocasse. Eu? Não tenho muita lembrança, mas sei que as águas ficavam cada vez mais turbulentas, porém só tocavam levemente os meus pés.
Segui caminho e lá estava eu entre casebres, pessoas ansiando por comida. Cachorros nos quintais, que ao invés de me atacarem , não o faziam apenas olhavam pra mim, como se pedissem com os olhos alguma coisa, ou me avisassem algo.
De quintal em quintal, eu entrava nas casas e viam famílias juntas alegres, e famílias paradas a espera de alguma coisa. O que seria tudo aquilo? Ficava sempre me indagando, mas observando cada detalhe. Todos estavam com suas famílias, mas eu...estava só. Talvez porque eu estava os vendo de cima.
Pouco depois comecei a ver uma grande plantação, parecia dourar aos reflexos do sol, já não havia mais água, nem agonia.
Havia apenas sol e uma suave suave brisa que fazia a plantação se mover e de longe avistava homens de idade avançada, tranquilos e pacientes vagando sobre os frutos a serem colhidos . Havia paz ao passar por ali.
Depois continuei minha caminhada, até chegar em outra cidade. Eu tinha uma ligeira impressão de conhecer aquela cidade, aqueles prédios, casas, lojas, ruas largas. Eu procurava alguém. Mas...estava sozinha. Quando finalmente encontrei alguém, perguntava por outro alguém que nem mesmo sabia quem era. Sabia apenas que era importante, porque eu desejava com fervor encontrá-la. Talvez fosse uma mãe, um pai, um filho, um amor, não sei.
Isso foi a noite toda, até que raiou o dia , despertei e percebi que tudo não passava de um longo sonho. No momento não liguei muito pra o sonho, mas durantes dias me fez refletir. Cheguei então a uma conclusão de que toda essa viagem seria minha busca contante de encontrar a mim mesma. A busca era interior. A águas turbulentas eram meus sentimentos, e o que fazia com que eu não fosse levada pelas águas era a minha perseverança.
Minha busca constante era guiada pelas mãos de quem me ajuda na caminhada terrena, ajudando-me no meu crescimento espiritual e a superar os problemas do dia a dia, Ele se chama Jesus, enviado por Deus, tendo como mensageiros e protetores seus serafins.
30. 10. 2010 Eloisia Serafim

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