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conto: O CAÇADOR DE SORTE

_ Meu Deus acordei muito tarde !!!!!-gritava o ancião- já são 8:00hs, o sol já está alto, preciso colocar água nas minhas plantas.
Que desespero para um homem daquela idade estava se preocupando também em aguar plantas. Mas, bem que ele tinha lá os seus motivos, pois ninguém se preocupava assim sem nenhuma razão.
_ Preciso aguá-las logo! preciso aguá-las logo! Várias vezes repetia – parecia está desvairando-se.
Logo ia para seu extenso jardim, onde havia várias plantas, comigo-ninguém-pode, arruda, trevo, bem como lindas flores: cravos, orquídeas, rosas de variadas cores, jasmim e outras, cada qual exalando seu perfume especial.
Com dinheiro de sua aposentadoria comprava muitas coisas, de culturas diversas, ele dizia que era para atrair a sorte.
_ Pronto minhas plantinhas, eu já as aguei, vocês estão alegres e lindíssimas. A tardinha eu volto para alimentá-las com os adubos que comprei ontem e matarei a sede todas, pois o dia hoje está muito quente.
Ainda no jardim visitava os gnomos gesso espalhados por todo o jardim, os pequenos elfos encomendados numa loja especializada e observava o caminho que dava para a entrada da casa, para ver se todas as pedras estavam em seus lugares eram sechos, pedras coloridas de ametista, jaspe, turmalina preta, quartzo de várias cores e cristalizados. Era tudo muito bonito e bem cuidado.
Ao entrar na sala havia um enorme tapete indiano algumas algumas almofadas e uma enorme de madeira com vários livros de auto-ajuda, livros espíritas, o Torá, a Bíblia, muitos livros, todos já lidos do outro lado bisquis e objetos tailandês, africano, chinês, indiano e esculturas brasileiras.
_ Já estava esquecendo de acender minhas velas aromáticas e meus incensos.
Depois que acendia, sentava sobre o tapete em posição para meditar e começava a elevar seus pensamentos aos céus, a natureza, ao universo à Deus:
_ Eu vos invoco, peço proteção e sorte em todos meus dias, todas minhas horas e minutos. Ficava ali por mais de meia hora fazendo suas orações.
Não se deu conta que o tempo passara tão rápido e chegou a hora do almoço e não havia feito nada. Até porque para ele horas de refeição também são horas sagradas.
Saiu as carreiras e já estava em sua pequena cozinha, simples, apenas com uma mesa de madeira antiga, um pequeno armário e seu fogão a lenha.
Enquanto a lenha começava a pegar, corria para o quintal , colhia alguns legumes e verduras, corria até o poleiro e pegava uns ovos que algumas de suas pequenas galinhas puseram e pronto. Em pouco tempo conseguia aprontar sua refeição, sadia. Sim! Sadia, porque papa ele essas comidas prontas e verduras e frutas e tudo mais não prestam são todas mexidas pelo homem, mexendo na lei da natureza usando químicas e experimentos para os alimentos ficarem mais bonitos e atrativos. No seu quintal não!? era tudo bem natural cuidado pelas próprias mãos sem precisar de adubos e agrotóxicos.
_ Que homem de sorte sou eu, tenho tudo que preciso, dentro dentro de minha própria casa. Eu sou o homem mais sortudo do mundo. Depois do almoço deu um cochilo, levantou-se logo para aguar suas plantas.
Nisso já estava escurecendo, quando também estava chegando o cansaço , então acendeu seus incensos, suas velas aromáticas, tomou um banho de água cristalina da própria fonte que tinha no fundo do quintal. Era muito importante fazer todo esse ritual todas as noites, porque assim purificava seu corpo, e deixava sua casa aromatizada e livre de qualquer azar.
Entretanto, antes de dormir sentiu uma tristeza profunda, um vazio em seu coração e uma lágrima também solitária escorreu em seu rosto marcado pelo tempo. Adormeceu.
Ao amanhecer, já não havia jardim, nem livros, nem tapetes, nem sorte, nem o corpo do caçador de sorte. Tudo virara pó.
Ao dormir esquecera as velas acessas próximas a prateleira de livros e ao ventar forte caiu em uns livros, o bastante para o fogo se alastrar tão rápido, em tão pouco tempo, sem que o homem se desse conta.
Nem homem, nem sorte, absolutamente nada restara naquele lugar além de seus ossos. Por onde andava a sorte!?
A verdade é que há muitos anos ele se trancara para a vida e para as pessoas, não tinha filhos, não tinha ninguém. Fugiu a vida inteira das pessoas, procurou ter um pouquinho do mundo em sua casa que parecia mais um templo sincrético, onde se escondia por trás da sorte ou atrás da sorte. Achava que assim encontraria a verdadeira alegria, que jamais conseguiu ter, pois só teve como companheira a solidão e com ela se esvaiu para todo o sempre.
11.2010

Eloisia Serafim

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